{Inês} Review: Um Comércio Respeitável (PT)

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Um Comércio Respeitável

Título Original: A Respectable Trade
Autor:
 Philippa Gregory
Tradutor: MariaDo Carmo Figueira
Data:
 Outubro 2013 (originalmente 23 de Dezembro de 1994)

Editora: Porto Editora
Páginas: 410 (Capa mole)
Género: Histórico | Romance
Série: —
Idioma: Português
ISBN: 9789720044303

 


A Minha Opinião:

Na Inglaterra do século XVIII, a cidade de Bristol, vivia dos navios que partiam para o Continente Africano, em busca de escravos, açúcar, tabaco, especiarias e rum. Este era o considerado “comércio respeitável”, que dá título a mais um emocionante romance de Philippa Gregory

O retrato da escravatura é algo chocante nesta leitura. Os comerciantes e senhores da classe alta tratavam os escravos de uma forma desumana e humilhante. Eram tratados pior do que os animais, como se não tivessem sentimentos, eram transportados nos navios a monte, empilhados, acorrentados pelo pescoço, sem higiene, sem água potável, sem comida, adoecendo e sendo atirados ao mar, ainda vivos, os que deixavam de ter esperança suicidavam-se, se sobreviviam trabalhavam nas plantações ou eram criados nas casas dos senhores da cidade, sem remuneração e com coleiras com nomes atribuídos. 

Nesta obra, a autora retrata a dura realidade do povo africano, durante o período da escravatura, em que seres humanos eram vendidos, abusados a todos os níveis, relatando pormenorizadamente os acontecimentos, que embora sejam fictícios, retratam a realidade da época. 

No início do livro, os acontecimentos surgem muito depressa, fazendo com que o leitor se situe no tempo e no espaço da narrativa, enfrentando uma dura e diferente realidade que é a riqueza proveniente do tráfico humano, da escravatura. Neste tempo, o comércio tem influência em toda a sociedade.

As personagens são muito bem construídas. A autora desenvolveu-as muito bem ao longo da narrativa. Com o passar do tempo demonstram sentimentos mais profundos, demonstram ter atitude, mas também demonstram crueldade e ambição desmedida. Todas as personagens, de uma maneira ou de outra, deram a esta leitura uma forte carga emocional.

Em 1787, Joshia Cole é um homem de negócios, mas precisa de uma esposa influente. É um homem excessivamente ambicioso, pretende tornar-se um novo rico, ascendendo socialmente. É um comerciante, dono de um navio, que pretende fazer parte da elite de comerciantes da cidade de Bristol, a “Merchant Ventures of Bristol”.

Frances Scott, esposa de Joshia, vê no casamento uma oportunidade de garantir uma vida estável, vendo no marido alguém que garantirá a sua segurança, visto que o seu único parente é o seu tio Scott, um homem influente e respeitado na cidade.

Joshia traz um grupo de escravos para que Frances os ensine a falar inglês. É assim que Mehuru e Frances se conhecem e se apaixonam.

Frances ensina alguns escravos saudáveis a falar inglês, para que o seu marido os possa vender aos senhores das classes altas, para servirem como criados nas suas casas, sem qualquer remuneração, suportando a moda das coleiras com nomes, que lhes eram atribuídos. 

Frances representa a mulher da sociedade da época, que vive de luxos provenientes da escravatura. Quando se casou apercebeu-se desse facto, mas ao conhecer de perto os escravos, compreendeu que estes também tinham sentimentos, medos e sonhos. Afeiçoou-se pelas crianças, pelas mulheres mal tratadas e especialmente por Mehuru, que é mais culto e mais inteligente do que os outros.

Numa sociedade em que a Mulher não tinha vontade própria, nem opinião, era obrigada a obedecer ao marido, sem reivindicar, Frances tem como missão educar os escravos.

Sarah é irmã de Joshia, ambos herdaram o velho navio do pai, fundando uma sociedade, em que Sarah cuida dos livros de contabilidade da casa e dos negócios, enquanto Joshia cuida dos negócios marítimos, da compra e venda de escravos, tabaco, especiarias e rum. É uma mulher amargurada, obcecada com contabilidade e lucros. Sempre viveu com o irmão, embora não se dê bem com a cunhada, Frances, o que teria tornado as vidas de ambas mais fáceis. 

Pela primeira vez, um livro de Philippa Gregory é editado em Portugal pela Editora “Porto Editora”, visto que todos os outros livros que eu tenho da autora, embora ainda não tenha todos, foram editados pela editora “Livraria Civilização Editora”.

Gosto, em especial, do dourado da capa e do tipo de letra, a cargo da nova editora.

A escrita da autora é envolvente, empolgante, fluída, cheia de conhecimentos, que coloca o leitor no meio de uma história fictícia, extremamente credível, emocionante, pela realidade chocante retratada neste livro. Recomendo esta leitura!

Os Meus Cups:

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