{Inês} Review: O Livro de Feitiços de Deliverance Dane (PT)

O Livro

As Luzes de Setembro - CRZTítulo Original: The Physick Book of Deliverance Dance
Autor:
 Katherine Howe
Tradutor: António Carlos Carvalho
Data:
 19 de Maio de 2010 (originalmente 2009)

Editora: Grupo Planeta – Planeta Manuscrito
Páginas: 403 (Capa mole)
Género: Romance | Ficção-Histórica
Idioma: Português
Opinião da Ner: The Physick Book of Deliverance Dane
ISBN: 9789896570781
Cups:

A Minha Opinião:

Ainda no princípio da década de noventa,  do século XX,  conhecemos Connie Goodwin. Esta personagem foi criada pela escritora Katherine Howe, descendente de uma família de mulheres que foram julgadas e acusadas de bruxaria, em Salem, em pleno século XVII, investigando o passado histórico, relacionado com os seus antepassados.

Connie vai passar algum tempo a casa da sua falecida avó, com o objectivo de auxiliar a mãe na limpeza e arrumação da casa, para que esta seja posta à venda. E foi assim que a protagonista descobriu uma Bíblia com uma chave com o nome “Deliverance Dane”.

Connie investiga quem foi essa pessoa na Biblioteca, em antigos registos. Assim, descobre que o nome dessa pessoa está associado ao julgamento das bruxas de Salem, no século XVII, onde várias mulheres foram acusadas de bruxaria e feitiçaria, chegando a saber da existência de um livro de feitiços e que tais julgamentos aconteceram no ano de 1692.

Considero que as personagens secundárias foram pouco aprofundadas, mas, em contrapartida,  as personagens do século XVII estão extremamente bem construídas, provando a intensa pesquisa da autora e o seu enorme talento para recriar os cenários e descrever factos históricos. 

Num tempo em que se confundia remédios caseiros com feitiços, que provocavam olhares desconfiados às mulheres da época, este livro tem como objectivo chamar à atenção sobre a evolução da mulher na sociedade e a maneira como a medicina evoluiu ao longo do tempo.

Gostei muito da trama passada no século XVII e considerei a pesquisa da personagem principal muito interessante. Há muito tempo que este livro chamou a minha atenção. Foi uma leitura muito agradável. 

Recomendo a escrita fluida e cativante de Katherine Howe, que consegue agarrar o leitor com a sua criatividade e com uma pesquisa notável.

Inês

{Inês} Review: A Voz – Juliet Marillier (PT)

Catarina de Aragão

As Luzes de Setembro - CRZTítulo Original: The Caller
Autor:
 Juliet Marillier
Tradutor: Catarina F. Almeida
Data:
 2 de Julho de 2014 (originalmente 1 de Janeiro de 2014)

Editora: Planeta
Páginas: 456 (Capa mole)
Género: Fantasia | Romance
Série: Shadowfell #3
Idioma: Português
ISBN: 9789896575212
Cups:

A Minha Opinião:

Com o livro A Voz chegamos ao fim de mais uma trilogia de uma das melhores contadoras de histórias do género Fantástico: Juliet Marillier

Ao longo da trilogia Shadowfell o leitor acompanha o percurso de Neryn, que procura os ensinamentos dos Guardiões,  que a ajudarão a enfrentar os perigos dirigidos pelo impiedoso Rei Keldec.

Entretanto, os restantes membros da rebelião continuam a lutar para proteger Neryn. Tali, a guerreira, enfrenta todos os perigos para proteger a causa e ajudar Neryn a manter-se a salvo.

O Reino de Alban mantém-se sob a tirania e ambição do Rei, culminando numa enorme revolta popular que pretende mudar para melhor o futuro de Alban.

Partilhando a demanda de Neryn em busca de conhecimento sobre dois dos quatro elementos, o ar e o fogo, com a Dama Branca e o Senhor das Sombras. 

Revivemos as angústias de Flint, como espião na corte e a distância que o separa de Neryn. Flint é uma das personagens mais importantes da trilogia, pois a sua força de vontade é determinante na rebelião,  demonstrando muita habilidade perante os desígnios do Rei.

Neryn faz com que a demanda continue em nome de Alban, procura os Guardiões do fogo e do ar, o Senhor das Sombras e a Dama Branca, provando ser uma mulher destemida e determinada.

O Movimento Rebelde,liderado por Tali, apoia a causa e deposita toda a fé em Neryn, enquanto Alban sofre o flagelo da tirania do Rei Keldec. 

Neste volume conhecemos melhor o Rei Keldec e a sua família, o que se torna uma das partes mais interessantes deste terceiro volume. A sua família abre portas ao leitor, o que o leva a compreender o passado desta família e a ter esperança no futuro de Alban.

Ao longo da narrativa, vão se encaixando, progressivamente, todos os acontecimentos importantes até ao epílogo emocionante que conclui mais uma trilogia de Juliet Marillier. O final é satisfatório,  embora esperasse algo mais desenvolvido relativamente à situação da sociedade e dos membros da rebelião.

A sua escrita é melodiosa, reconfortante e maravilhosa traz-nos a conclusão da sua trilogia mais recente, editada pela Editora Planeta Manuscrito. 

As personagens  apresentam uma profundidade ideológica muito forte, o que chama a atenção do leitor para a componente da fé e da esperança, que move uma causa justa, mas difícil de alcançar. 

Os acontecimentos tornam-se algo imprevisíveis, o que traz emoção à trama. O leitor acompanha o povo de Alban nesta luta pela paz, enfrentando o perigo com toda a coragem.

É com tristeza que termino mais uma trilogia duma das melhores contadoras de histórias que conheço. Recomendo, a trilogia Shadowfell, a todos os fãs do género “Romance Fantástico”, bem como a qualquer leitor que goste de uma boa história de amor, coragem e esperança. 

Inês

{Inês} Review: O Dardo de Kushiel (PT)

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Review by Inês (PT):
O Dardo de Kushiel
(Kushiel’s Dart)

Autor: Jacqueline Carey
Tradutor: Teresa Martins de Carvalho
Data:
 10 de Fevereiro 2010 (originalmente 2001)

Editora: Saída de Emergência
Páginas: 397 (Capa mole)
Género: Fantasia | Erótico
Série: Kushiel #1
Idioma: Português
ISBN: 9789896371852
Cups:


A Minha Opinião:

Esta foi a minha estreia com a escritora Jaqueline Carey.  Confesso que não fiquei muito entusiasmada com este livro. Não gostei do universo criado por Carey e não pretendo continuar a ler os seus livros. O motivo que me levou a ler este livro foi a narradora tornar a leitura fluida,  explicando este universo capítulo após capítulo. 

Este livro tem uma personagem do sexo feminino como narradora, chama-se Phèdre,  nasceu numa sociedade inserida em tempos longínquos,  num território que se pode identificar como a França dos nossos dias.

Phèdre nasceu numa das Treze Casas e foi criada pela Corte da Noite, ensinada a ser uma d’ Angeline, uma cortesã com algumas particularidades raras. Phèdre tem um cisco escarlate no olho esquerdo, identificado como A Marca de Kushiel.

A acção principal passa-se em Terre d’Ange, num território da conhecida França,  cujo povo é descendente de Anjos. O Abençoado Elua foi o Anjo mais estimado,  considerado o filho da Terra, assim, Terre d’Ange é uma Terra pacífica, com Sol abençoado, graças a Elua. Cada uma das Treze Casas tem a sua crença num Deus diferente e os Cortesãos – Mores fazem parte das Casas do reino.

Phèdre é uma personagem diferente, chocante, que tenta explicar a sua personalidade como algo resultante do meio em que está inserida,  facto que não considero suficiente para justificar alguns aspectos que não me agradaram ao longo da leitura. 

Não quero persuadir ninguém para que não dê uma oportunidade a esta autora. Espero que qualquer fã do género Fantástico dê uma oportunidade a Jaqueline Carey,  tal como eu dei, independentemente do facto de não me identificar com o universo criado pela mesma.

Considero a sua escrita fluida e descritiva,  o que torna a leitura apelativa. A linguagem utilizada pode ferir susceptibilidades,  a cargo do género erótico,  que também está presente ao longo da narrativa.

A parte final deste livro traz uma reviravolta imprevisível, com novas personagens, uma delas tornou-se a minha preferida, Joscelin, o protector pessoal de Phèdre, um sacerdote, guerreiro conhecido como Cassiel.

Anafiel Delaunay ensinou Phèdre a pensar, olhar e ver, ajudando-a na sua arte, mas instruindo – a nível intelectual, tornando-se uma personagem fulcral ao longo da narrativa. 

Este livro, O Dardo de Kushiel, é a tradução de metade do livro original,  Kushiel’ s Dart, publicado em português,  pela Editora Saída de Emergência,  com a particularidade de ter uma capa amovível,  que é o caso do meu exemplar.

{Inês} Review: A Rainha Corvo (PT)

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Review by Inês (PT):
A Rainha Corvo
(The Raven Queen)

Autor: Jules Watson
Tradutor: Inês Passos
Data:
 17 de Fevereiro de 2012 (originalmente 22 de Fevereiro de 2011)

Editora: Bertrand Editora
Páginas: 566 (Capa mole)
Género: Fantasia | Romance Magia
Série: A Lenda do Cisne #1/ A Rainha Corvo #1

Idioma: Português
ISBN: 9789722523875
Cups:


A Minha Opinião:

Esta história foi inspirada nas lendas irlandesas do Ciclo de Ulster. Esta foi a minha estreia com a autora Jules Watson. Não tive a oportunidade de ler o livro A Lenda do Cisne, mas gostaria de lê-lo, um dia mais tarde.

Confesso que a sinopse deste livro, A Rainha Corvo, me atraiu de imediato,  quando a li pela primeira vez.  Adorei a história de Maeve, a Rainha Corvo. Vale a pena ler este livro para se conhecer as personagens principais: Maeve e Ruán.

Maeve era a moeda de troca que o seu pai usava para selar alianças poderosas, obrigando-a a casar três vezes. Conor de Ulaid é o terceiro marido de Maeve, que a usou para se apoderar do seu reino de origem. 

Maeve conquista a espada de seu pai e torna-se uma guerreira que luta para ser rainha com o objectivo de proteger o seu povo, salvaguardando o seu reino. 

Maeve é uma mulher corajosa, inteligente e determinada que luta pela sua independência e pelo seu povo. É uma guerreira/cavaleira com o objectivo de ser rainha,  mas para isso tem de vencer o poder do seu pai e a hegemonia do seu irmão,  que quer ser rei. Ainda tem de enfrentar o seu terceiro marido, Conor, um líder que pretende conquistar todo o reino para si próprio. 

Maeve simboliza a Deusa, a Mãe. Ultrapassou a dor da perda, do abuso físico,  simbolizando a fertilidade e a coragem. 

Ruán encarna o misticismo, o lado sobrenatural desta história. As suas capacidades físicas desenvolvem-se no limite, lutando com a sua solidão, esperando sempre pela presença de Maeve. O druida muda Maeve para sempre e proporciona uma das partes mais interessantes desta leitura.  Filho de pescadores, que enfrenta a miséria e toma a decisão de se tornar druida,  refugiando-se nos lagos do reino de Maeve. 

As personagens secundárias são muito importantes ao longo da narrativa e acompanham os protagonistas, Maeve e Ruán, para o bem e para o mal.

A autora descreve os cenários de uma forma meticulosa e imaginativa que faz com que o leitor veja o campo de batalha e sinta a acção a decorrer. Mas, para mim, algumas descrições foram demasiado repetitivas e perlongadas ao longo de imensas páginas,  o que tornou a minha leitura lenta e demorada. 

A escrita de Jules Watson é extremamente descritiva e detalhada , o que torna a leitura interrupta, na minha opinião. 

As partes mais interessantes desta história referem-se à personagem principal,  Maeve, que se tornou a minha personagem preferida, que simboliza a força numa sociedade que remota ao século I a. C. , a chamada Idade do Bronze.

{Inês} Review: Sangue-do-Coração (PT)

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Review by Inês (PT):
Sangue-do-Coração
(Heart’s Blood)

Autor: Juliet Marillier
Tradutor: Marta Teixeira Pinto
Data:
 18 de Junho de 2010 (originalmente 2 de Outubro de 2009)

Editora: Bertrand Editora
Páginas: 399 (Capa mole)
Género: Fantasia | Romance Magia
Idioma: Português
ISBN: 9789722521741
Cups:
5 Cups


A Minha Opinião:

Este livro, Sangue-do-Coração, de Juliet Marillier,  é um “stand-alone”, ou seja, não faz parte de uma série de livros.

A autora inspirou-se no conto da Disney, A Bela e o Monstro, tendo como protagonistas Caitrin e Anluan.

Caitrin é uma jovem, é escriba de profissão,  aprendeu com o pai, mas teve de fugir dos fantasmas do passado.

Anluan enfrenta a solidão e uma maldição que se arrasta há séculos no seu castelo, em Whistling Tor. É o chefe tribal e procura um escriba para organizar e traduzir os documentos pertencentes à sua família, que estão na biblioteca do castelo há gerações. Este protagonista sofre de deficiência física,  vive numa terra amaldiçoada,  que causa pavor a quem a conhece. 

A história é narrada na primeira pessoa e a acção principal passa-se na Irlanda Medieval. Esta é uma história sobrenatural,  que invoca espíritos dos antepassados e espelhos que mostram o passado. 

As personagens secundárias são inúmeras e trazem uma componente fulcral a esta história.  Ajudam Caitrin a conhecer o passado de Whistling Tor e a aproximar-se, progressivamente, de Anluan. 

Caitrin ao trabalhar como escriba na biblioteca de Anluan vai desvendando segredos da família deste. A pouco e pouco, os dois vão-se aproximando e Caitrin vai ajudar Anluan a escrever e a ter força de vontade para enfrentar as suas limitações físicas. 

A escrita de Juliet Marillier é rica em detalhes, transmite emoção,  dinamismo,  criando cenários mágicos que têm como foco principal as mulheres corajosas que se tornam verdadeiras heroínas,  pela força interior e verdadeira esperança que representam em cada história. 

Juliet Marillier recriou um conto de maldição,  onde os espíritos fazem parte dum lugar onde só a esperança e o amor verdadeiro podem vencer o Mal.

A autora descreve as personagens de uma forma detalhada,  que permite ao leitor ficar a conhecê-las de uma maneira íntima e encantadora. 

Desejo que usufruam da maravilhosa escrita de Juliet Marillier e que fiquem a conhecer mais um excelente romance que nos ensina a nunca desistir e a manter sempre a esperança naquilo em que acreditamos. 

{Inês} Review: Danças na Floresta (PT)

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Review by Inês (PT):
Danças na Floresta
(Wildwood Dancing)

Autor: Juliet Marillier
Tradutor: Maria das Mercês Sousa
Data:
 Junho 2011 (originalmente 23 de Janeiro de 2007)

Editora: Bertrand Editora
Páginas: 332 (Capa mole)
Género: Fantasia | Romance Magia
Série: O Outro Reino/Wildwood #1
Idioma: Português
ISBN: 9789722516969
Cups:
5 Cups


A Minha Opinião:

Este livro é o primeiro volume de uma duologia que tem como título Wildwood, da qual fazem parte os dois seguintes livros: Danças na Floresta e O Segredo de Cibele

Esta duologia conta a história de uma família que vive na Transilvânia,  cujo patriarca é um mercador. Teodor ficou viúvo e teve de tomar conta dos negócios,  do palácio e das cinco filhas. Educou as raparigas sem os preconceitos da época,  dando-lhes estudos, responsabilidades e autonomia. 

Teodor teve de se ausentar do palácio para terras distantes e mais quentes, devido a um grave problema de saúde. Assim, pediu ao seu irmão e ao seu sobrinho César para cuidarem das suas filhas na sua ausência. 

César aproveitou a oportunidade para se apoderar da situação e mandar naquilo que não lhe pertence. César é autoritário,  machista, cruel e guarda ressentimentos do passado, que não consegue esquecer.

As cinco irmãs,  filhas de Teodor são: Tatiana (Tati) de 16 anos, Jenica (Jena) de 15 anos, Iulia de 13 anos, Paula de 12 anos e Stela de 5 anos.

As irmãs todos os meses, na lua cheia, abrem um portal mágico que lhes dá acesso ao Outro Reino, uma Floresta Mágica,  com trolls,  fadas e anões. 

Mas este Reino é habitado por seres mágicos estranhos, como uma bruxa que vive na água e um Ser da Noite, que se alimenta de sangue humano,  oriundo do Povo da Noite. 

Jena tem um amigo inseparável que vive no seu ombro ou no seu bolso, o sapo Gogu. Este foi adoptado por Jena nas primeiras vezes que visitou o Outro Reino e ambos têm a capacidade de comunicar por telepatia,  e, assim, falam sem ninguém escutar aquilo que conversam.

Gogu é uma personagem maravilhosa,  que ajuda e aconselha Jena sempre com carinho e preocupação.

Jena é a protagonista e é quem toma a responsabilidade da família. É inteligente,  corajosa e empreendedora.  Apesar dos seus 15 anos, cuida da gestão da casa e dos negócios do pai, enquanto este não recupera do seu grave estado de saúde. 

Tati  destaca-se pela beleza, Jena pela maturidade, Paula pela inteligência,  Iulia pelo crescimento precoce e Stela pela inocência. 

A capa é magnífica !  Nela encontramos referências a personagens e lugares presentes na narrativa.

Este Romance Fantástico está repleto de mitologia.  Juliet Marillier é uma exímia contadora de histórias.  A sua escrita é dinâmica,  envolvente e emotiva, transmitindo valores como a família,  a confiança e a bondade.

Para escrever esta história mágica,  Juliet Marillier inspirou – se no conto As Doze Princesas Bailarinas e transformou uma nova história num “conto de fadas” diferente, com a mestria que lhe é característica. 

Recomendo !

{Inês} Review: Entre o Agora e o Nunca (PT)

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Review by Inês (PT):
Entre o Agora e o Nunca
(The Edge of Never

16044844Autor: J.A. Redmerski
Tradutor: Fátima Andrade
Data:
 9 de Janeiro de 2014 (originalmente 13 de Novembro de 2012)

Editora: Editorial Presença
Páginas: 459 (Capa mole)
Género: Romance Erótico | New Adult
Série: Entre o Agora e o Nunca #1
Idioma: Português
ISBN: 9789722351829
Cups:
5 Cups


A Minha Opinião:

Esta foi uma leitura compulsiva,  divertida, com mais profundidade do que estava à espera.

Este livro foi uma surpresa maravilhosa, os protagonistas são apaixonantes e demonstram ser reais e não idealizados, como muitos outros. 

Esta leitura foi a minha estreia com a autora, que desconhecia. Segundo sei, este livro é o primeiro volume de uma duologia,  a pedido dos fās que queriam saber a continuação das vidas dos protagonistas. 

Gostei muito desta história. Primeiro,  fugi da minha área de conforto,  que é o género literário Fantástico. Segundo, gostaria de seguir esta história e para tal espero que a Editora Editorial Presença, continue a apostar nesta autora, em Portugal.

Este livro traz ao leitor um novo género literário,  o New-Adult, que deixa para trás os “clichés” do género Young-Adult, ao qual já me tinha habituado a ler.

Este romance está classificado como “ficção realística”, pela forma como foca problemas reais e familiares a alguns leitores, podendo fazer parte da vida de qualquer pessoa. 

A escrita da autora é fluente e motiva o leitor a descobrir sempre mais sobre a trama.

Embora utilize uma linguagem informal, por vezes com calão e palavrões,  algo que não estou habituada a ler, nem mesmo no género literário Young- Adult.

O epílogo é emotivo, romântico,  mesmo comovente e deixa a esperança de que a história do casal não fica por aí.

Hoje descobri que foi editado um segundo volume, nos E.U.A. , assim, espero que a Editorial Presença nos presenteie com o seu lançamento em português. 

Andrew é o protagonista masculino, protector,  altruísta,  simpático e bonito.

Camryn é uma jovem destemida, de personalidade forte, pois tem enfrentado grandes desgostos na vida. Ao estar farta de sofrer e de enfrentar os desgostos da sua própria vida, decidiu partir à aventura e viajar sem destino. 

Andrew está de viagem para casa dos pais, mas não tem pressa de chegar, pois esperam-no problemas graves e preocupações para os quais ainda não está preparado.

Camryn propõe-lhe viajarem juntos,  quando se conhecem num dos autocarros de longo curso que faz viagens entre vários Estados dos Estados Unidos da América. 

Natalie é a melhor amiga de Camryn,  é obcecada pelo namorado,  vive sem regras, nem responsabilidades.

Este livro tem uma escrita cativante, fluida em que os capítulos são intercalados pelos dois protagonistas,  permitindo ao leitor conhecer os pensamentos e sentimentos de ambos.

A parte erótica desta história está relacionada com o envolvimento físico das personagens principais. 

Camryn Bennett tem 20 anos e Andrew Parrish tem 25 anos.

Este livro tem dois narradores, que focam duas perspectivas pessoais sobre a mesma realidade.  Gostei muito desta opção da autora, sendo este o factor determinante na rapidez da minha leitura, pela curiosidade constante de compreender melhor os acontecimentos. 

Camryn enfrenta uma depressão pela morte do namorado durante a adolescência,  pela traição do último namorado, pelo divórcio dos pais devido ao pai ter abandonado a família e o desgosto do irmão estar preso por causa de um acidente. 

A autora escreveu um segundo volume, graças ao feedback positivo dos fãs para que continuasse a história de Cam e Andrew.

Após um desentendimento com a sua melhor amiga, Camryn parte em viagem,  num autocarro de longo curso, que percorre vários Estados. Assim, conhece Andrew que também anda a fugir da realidade que o atormenta. 

Recomendo este livro, pois esta foi uma óptima estreia com a escritora J. A. Redmerski.

{Inês} Review: Rainha (PT)

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Review by Inês (PT):
Rainha
(Ascend)

16044844Autor: Amanda Hocking
Tradutor: Elsa T.S. Vieira
Data:
 4 de Junho de 2013 (originalmente 1 de Janeiro de 2011)

Editora: ASA
Páginas: 264 (Capa mole)
Género: Fantasia Urbana | YA 
Série: Trilogia Trylle #3
Idioma: Português
ISBN: 9789892323305
Cups:
5 Cups


A Minha Opinião:

Rainha é o último volume da trilogia Trylle, de Amanda Hocking.  

Neste livro,  Elora, mãe de Wendy, a Rainha Trylle, encontra-se muito debilitada físicamente.  A Rainha pretende preparar a Princesa Wendy para assumir o cargo máximo na hierarquia. 

Wendy prepara-se para o seu casamento com Tove, o Príncipe Trylle,  filho de Aurora, a melhor amiga de Elora.

A aproximação de Wendy e de Matt, o “irmão” com quem cresceu, traz fortes emoções a esta história e com esta relação,  novos relacionamentos surgirão até à conclusão da trilogia. 

Tove ajuda Wendy a treinar os seus poderes mágicos, dando-lhe confiança e apoio.

O Rei Vittra não se cansa de tentar forçar Wendy a ficar do seu lado, mas para isso os acontecimentos tomam um rumo perigoso para a Princesa. 

O epílogo desta trilogia não podia ser mais imprevisível e emocionante do que foi. Amanda Hocking criou uma trilogia muito particular,  que embora eu admita que não me tenha cativado muito no primeiro volume, ao ter dado uma segunda oportunidade a esta trilogia,  descobri um novo universo no género “Fantástico”, do qual aprendi a gostar graças à maneira como a autora conseguiu conduzir as personagens,  levando-as a desfechos emotivos e de certa forma inesperados para o leitor.

O mais importante de tudo nesta longa história foi a evolução física e psicológica da personagem principal,  a Princesa Trylle,  Wendy. Transformou-se numa mulher mais corajosa, mais confiante consigo própria,  esforçando-se  para ter mais responsabilidade,  pensando no futuro como uma boa alternativa para mudar aquilo que considera errado na sociedade Trylle. 

Eu gosto bastante da personagem Tove, o Príncipe Trylle, que demonstra ter bom carácter,  preocupa-se com os outros,  tornando-se o melhor amigo de Wendy. A sua personalidade sincera e altruísta torna-o uma personagem muito importante ao longo da trilogia. 

A Rainha Aurora  sempre apoiou a Rainha Elora, bem como a aproximação de Tove e Wendy.

Ao terminar de ler o primeiro volume desta trilogia fiquei com algumas dúvidas se iria gostar desta história e tinha muitas dúvidas sobre os conceitos da sociedade constituída por trolls e substitutos. 

Ao ler o segundo volume,  agradeci a mim mesma por não ter desistido da história de Amanda Hocking. A acção da história foi emocionante e ajudou o leitor a compreender melhor os objectivos da sociedade Trylle. 

Ao ser raptada pelo Rei Vittra, Oren, Wendy conhece Loki, um markis Vittra que tem como apelido Staad. 

A Rainha Elora, finalmente,  aprende a ser mãe,  demonstrando todo o afecto pela filha Wendy, apoiando-a e ensinando-lhe tudo o que sabe para que a filha se sinta preparada para ser Rainha do Reino Trylle, uma sociedade de trolls, com puderes sobrenaturais que vivem dos lucros obtidos pelos substitutos.

Wendy sente, cada vez mais, este reino como o seu verdadeiro mundo, mas deseja reformá-lo, torná-lo mais justo, embora uma reforma profunda demore demasiado tempo e encontre excessivos obstáculos pela frente.

O Rei Vittra, Oren, e a sua esposa Sara, continuam a lutar contra os Trylle, na esperança de conquistar Wendy.

Mas, na realidade, Finn nunca lutou pelos seus sentimentos por Wendy, enquanto Loki sempre se esforçou para conquistá-la, demonstrando-lhe os seus sentimentos,  mas com tudo isto,  a cabeça de Wendy fica confusa e não se consegue decidir com lucidez, até à conclusão da trilogia. 

Matt e Willa continuam a lutar pelo que sentem um pelo outro e apoiam Wendy, como sempre fizeram.

Embora Tove seja a minha personagem preferida, devido ao facto de ser sincero e de apoiar Wendy incondicionalmente ao longo de toda a história. 

Esta é uma trilogia de emoções fortes, que vale a pena ser lida por todos os fãs do género Fantástico e Young-Adult. Gostava que a Editora lançasse outros livros de Amanda Hocking

Recomendo!

{Inês} Review: O Palácio da Meia-Noite (PT)

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Review by Inês (PT):
O Palácio da Meia-Noite
(Le Palacio de la Medianoche)

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: Maria do Carmo Abreu
Data:
 30 de Maio de 2013 (originalmente 1 de Junho de 1998)

Editora: Planeta Manuscrito
Páginas: 279 (Capa mole)
Género: Romance | YA | Paranormal
Série: La Trilogia de la Niebla #2
Idioma: Português
ISBN: 9789896573881
Cups:
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A Minha Opinião:

Carlos Ruiz Zafón,  mais uma vez, emocionou – me com as suas palavras assim que li a primeira página deste livro,  palavras que demonstram uma enorme gratidão para com o “amigo” leitor,  dando uma prova de verdadeira humildade.

Zafón surpreende o leitor novamente com a sua mestria como exímio contador de histórias que é. Desenvolve um novo cenário,  de forma subtil, pois Calcutá passa despercebida com algumas descrições dos seus palácios.

A sua narrativa pode conter um ponto ou outro contraditório,  mas mesmo sem a experiência de hoje, Zafón deixou esta história com a tarimba daquele tempo, segundo o próprio autor, dando uma prova de humildade aos seus fãs.

Mesmo assim, este livro não me agradou tanto quanto todos os outros que já li do autor.

A história não me cativou como todas as outras, embora seja repleta de acção e aventura,  com jovens destemidos,  com passados complicados e vidas difíceis.

No início da narrativa, um inglês,  Peake, põe em perigo a sua própria vida ao salvar dois bebés gémeos.

Ao longo da narrativa a acção passa-se em Calcutá,  na Índia,  entre o ano de 1916 e o ano de 1932. O narrador da história é Ian, o melhor amigo da personagem principal,  Ben. Gostei do facto do autor escolher uma personagem secundária como narrador.

O epílogo da narrativa é emocionante, mas proporciona revelações um pouco previsíveis, na minha opinião. Confesso que esta leitura não me agradou tanto quanto todas as outras, mas isso deve – se à história em si e às personagens,  que não se tornaram tão especiais, nem tão próximas de mim como leitora, como muitas outras dos restantes livros que li de Carlos Ruiz Zafón.

Gostei mais do primeiro volume desta trilogia (Trilogia da Neblina), O Príncipe da Neblina, o segundo volume é O Palácio da Meia-Noite e o terceiro, As Luzes de Setembro, que ainda não foi editado em português.

Estes volumes têm em comum o facto de serem dedicados ao público juvenil,  baseados em histórias de terror e suspense.

Esta trilogia, até agora,  não tem personagens em comum,  as histórias são independentes tendo apenas em comum o género Young-Adult/Paranormal.

Sete jovens fazem parte da Chowbar Society,  mas não são todos internos do orfanato St. Patrick.  As reuniões secretas tinham sempre hora e local marcados.

Jawahal é o vilão da história,  que pretende cumprir os seus planos malévolos,  com a ajuda do “Pássaro de Fogo”, um comboio de fogo que este vilão maléfico usa para instalar o pânico e cumprir os seus planos.

As personagens guardam segredos importantes que o autor vai revelando gradualmente,  o que motiva o leitor a ler mais um capítulo em busca de mais acção e aventura.

Recomendo a escrita de Carlos Ruiz Zafón,  embora este livro não tenha sido tão do meu agrado como todos os outros que já li deste autor, incentivo à sua leitura e desejo sinceramente que se deslumbrem com a escrita de Zafón,  tal como eu.

{Inês} Review: Marina (PT)

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Review by Inês (PT):
Marina
(Marina)

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: Maria do Carmo Abreu
Data:
 28 de Setembro de 2010 (originalmente 1999)

Editora: Planeta Manuscrito
Páginas: 260 (Capa mole)
Género: Romance | Paranormal
Idioma: Português
ISBN: 9789896571191
Cups:
5 Cups


A Minha Opinião:

Zafón é um dos meus escritores preferidos. Cada obra que leio deste autor torna-se uma leitura de eleição,  pela emoção que a escrita de Zafón transmite ao leitor.

Este livro, Marina, conta a história de Óscar Drai, um jovem de 15 anos, que vive num colégio interno, por ser orfão.

A acção principal tem como cenário a cidade de Barcelona, que infelizmente não conheço,  mas adoro imaginá-la segundo as maravilhosas descrições de Zafón.  Nesta história descreve a Barcelona antiga e os seus palacetes abandonados.  

As temáticas preferidas do autor estão todas presentes. O leitor depara-se com ambientes góticos, jovens aventureiros,  acontecimentos misteriosos onde o suspense é tal que o leitor anseia pela última página para desvendar o mistério. 

Mas, na minha opinião, Zafón gosta de deixar dúvidas na mente do leitor,  bem como neste livro como no livro O Jogo do Anjo, há situações que o leitor fica na dúvida se os acontecimentos foram reais ou se foram alucinações ou ilusões vividas na mente das personagens. 

A história é contada na primeira pessoa do singular. Tem como narrador a personagem principal,  Óscar.  A acção decorre entre 1979 e 1980. O narrador inicia a sua história contando o final e só depois explica o que aconteceu antes desse desfecho. Gostei muito desta narrativa,  por ser diferente do habitual. 

A escrita de Zafón é soberba, emotiva, melodiosa e muito misteriosa. O seu romance Marina foi o último dedicado ao público jovem (género Young-Adult), passando a escrever para os adultos. 

O passatempo preferido de Óscar é vaguear pelas ruas antigas de Barcelona e ver os seus palacetes abandonados. Ao entrar numa mansão abandonada, conhece Marina e Germán. 

Esta é uma história de suspense e mistério,  uma história de fantasmas e marionetas enfeitiçadas. 

Óscar é puxado por Marina para investigar uma estranha história de amor, inspirada no livro Frankenstein,de Mary Shelley, um romance de terror gótico,  que a autora escreveu aos 19 anos. 

Recomendo!

{Inês} Review: O Príncipe da Neblina (PT)

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Review by Inês (PT):
O Príncipe da Neblina
(El Príncipe de la Niebla)

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: Maria do Carmo Abreu
Data:
 12 de Outurbro de 2011 (originalmente 1986)

Editora: Planeta Manuscrito
Páginas: 204 (Capa mole)
Género: Fantasia | Mistério YA
Série: La Trilogia de la Niebla #1
Idioma: Português
ISBN: 9789896572198
Cups:
5 Cups


A Minha Opinião:

Carlos Ruiz Zafón é um dos meus escritores preferidos. Gostei de todas as suas obras já editadas em português. 

Esta foi a primeira obra publicada de Zafón,  que segundo o próprio,  a partir desse momento, deixou de escrever para si próprio e passou a escrever para os outros. Fico eternamente grata a este escritor por ter tomado esta decisão,  que me permitiu conhecer as suas histórias,  que melhoram os meus dias e me deixam sonhar.

As suas personagens são construídas com sentimento e com sentido.  Passam a fazer parte da minha vida,  como se existissem nela de verdade.

O Prólogo deste livro é especial,  foi escrito pelo autor em 2007 e é dedicado ao seu amigo leitor. Esta atitude tocou-me profundamente, como se de um amigo chegado se tratasse. O autor faz uma breve reflexão sobre a efemeridade da vida e sobre o valor da obra dum escritor perdurar eternamente, fala sobre si próprio,  sobre o gosto pela leitura e a paixão pelos livros.

Este livro, O Príncipe da Neblina, é o primeiro volume da Trilogia da Neblina, mas o segundo volume, O Palácio da Meia-Noite, já foi editado em português,  pela mesma editora, a Planeta Manuscrito.

Este livro de aventuras que evoca a importância do “primeiro amor” na adolescência,  o imaginário sobre tesouros perdidos e a história dum navio afundado.

Este livro integra-se no género literário Young-Adult/ Paranormal, onde os acontecimentos criaram algum suspense, com ameaça de história de terror, com o objectivo de atrair o público mais jovem e adultos de espírito aventureiro. 

A família Carver pretende fugir da cidade onde mora devido à ameaça da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), visto que a história tem início no ano de 1943, em Inglaterra.  A família muda-se para a costa sul da Inglaterra. A família Carver é composta por cinco elementos,  são eles o patriarca Maximilian, a esposa Andrea e os seus três filhos.  Alicia é a irmã mais velha, Max e Irina são os mais novos.

Esta história tem o objectivo de inaltecer os valores com os outros, a importância de cumprir uma promessa e a coragem de enfrentar os medos.

Os diferentes locais onde decorre a acção são descritos de forma detalhada, o que ajuda o leitor a criar a imagem visual desses lugares onde tudo acontece. 

O romance está presente nesta obra de uma maneira doce e subtil, mas este terá muita força no percurso dos acontecimentos e nas relações pessoais das personagens principais. 

As personagens masculinas são as principais neste enredo, são elas Max, Roland e Víctor Kray. O avô de Roland é Víctor Kray, é o faroleiro da aldeia, vigia a costa e tem uma cabana na praia.

Roland mostra a aldeia aos amigos, Max e Alicia. Assim, acabam por se tornar inseparáveis companheiros de aventuras.

O Dr. Caín é uma personagem diabólica,  misteriosa e cruel. Dá um sentido muito próprio ao enredo, intriga o leitor e motiva-o a conhecer melhor a história. Concretiza qualquer desejo a troco de um pedido inimaginável. 

Um casal rico que vivera na actual casa dos Carver, perdeu um filho, Jacob. A casa tem um jardim com estátuas,  Irina tem um gato, o relógio da estação anda ao contrário.  Todos estes indícios são um presságio interessante num enredo com um desfecho soberbo e emotivo.

Carlos Ruiz Zafón tem o dom da palavra escrita, criando sempre uma narrativa envolvente e fluida,  descrevendo sentimentos que tocam o leitor. Com este seu primeiro romance publicado,  o autor recebeu o Prémio de Novela Edebé 1993.

Em Portugal,  a editora Planeta Manuscrito publicou esta obra e com uma capa maravilhosa faz jus à personagem misteriosa que dá nome ao título desta obra de Zafón.  Na minha opinião,  a editora está de parabéns pelo magnífico trabalho que tem apresentado sobre este autor, mas não só, vários autores estrangeiros são magnificamente representados por esta editora.

Recomendo os livros de Carlos Ruiz Zafón e as publicações da editora Planeta Manuscrito.

{Inês} Review: O Prisioneiro do Céu (PT)

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Review by Inês (PT):
O Prisioneiro do Céu
(El Prisionero del Cielo)

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: Sérgio Coelho
Data:
 28 de Junho de 2012 (originalmente 2001)

Editora: Planeta Manuscrito
Páginas: 393 (Capa mole)
Género: Fantasia | Mistério Cultura
Série: El Cemeterio De Los Libros #3
Idioma: Português
ISBN: 9789896573003
Cups:
5 Cups


A Minha Opinião:

O  Prisioneiro do Céu é o terceiro volume da tetralogia sobre O Cemitério dos Livros Esquecidos, de Carlos Ruiz Zafón.

Neste livro reencontramos personagens familiares aos leitores que acompanham as obras de Zafón,  personagens como Fermín Romero de Torres, David Martín, Daniel Sempere Filho e Julían Caráx.

Através deste livro conhecemos o passado da personagem mais enigmática desta série: Fermín Romero de Torres, que conta a sua história de vida ao seu confidente, Daniel Sempere Filho. Assim, compreendemos os motivos de Fermín ter aparecido na Livraria Sempere, no primeiro volume desta série, A Sombra do Vento.

Um misterioso homem visita a livraria “Sempere e Hijos” e ameaça revelar segredos perturbadores e toma uma atitude inesperada. 

Ao longo da narrativa conhecemos melhor a família Sempere, cujas personalidades aventureiras dão um encanto especial a esta série sobre livros, a paixão por estes, a coragem de seguir um sonho e viver alimentando-se dele. 

A minha personagem preferida é Daniel Sempere Filho, pela sua história de vida, pela maneira como gere a sua livraria, pelos seus medos e pela força interior que sempre demonstrou ter. É uma pessoa com carácter,  com princípios,  que não se deixs corromper e que luta por aquilo em que acredita.

A narrativa é desenvolvida de uma forma maravilhosa,  com avanços e recuos no tempo, que ajudam o leitor a conhecer o passado de personagens muito importantes e interessantes. 

O factor mistério é característico do autor, que faz com que o leitor não consiga parar de ler enquanto não descobrir o passado das personagens. 

David Martín é a surpresa desta narrativa, pois descobrimos nele a razão de muitos acontecimentos inexplicáveis no volume anterior,  O Jogo do Anjo.

A parte curiosa é aquela em que surgem referências interessantes sobre Julían Caráx e David Martín.

Encontramo-nos na Barcelona de 1957, onde Fermín conta a sua história a Daniel, seu amigo e confidente. Fermín é uma personagem muito importante,  de uma maneira algo forçada pelos acontecimentos do presente,  visto que a sua vida está prestes a mudar para sempre.

Bernarda é a paixão de Fermín,  simboliza o povo,  simples e de poucas posses, tem uma maneira popular de se expressar, mas  ama verdadeiramente Fermín.

A caracterização de cada personagem é feita na perfeição,  basta algumas referências específicas para o leitor associar a descrição a uma determinada personagem,  visto que o rol de personagens lhe é familiar dos volumes anteriores. 

É-nos apresentada uma realidade chocante sobre o passado das personagens,  mas é descrita de forma brilhante,  com partes de humor que aliviam a tensão dramática da trama principal.  A escrita de Zafón é detalhada e emotiva, desperta no leitor a vontade de conhecer mais sobre as suas personagens inesquecíveis. 

Este livro representa um retrato vivido da sociedade espanhola,  durante o período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), governada pelo regime fascista de Franco, com ideais que fizeram dos espanhóis vítimas das maiores barbaridades. 

Espero que um quarto volume desta série seja editado em Portugal,  visto que Zafón,  para mim, é um dos melhores escritores da actualidade. 

Recomendo esta leitura, com o regresso ao Cemitério dos Livros Esquecidos com o seu guardião Isaac. Descubram todas as obras de Carlos Ruiz Zafón. Tenho procurado cumprir este objectivo.

{Inês} Review: Sob o Céu Que Não Existe (PT)

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Review by Inês (PT):
Sob o Céu Que Não Existe
(Under the Never Sky)

Autor: Veronica Rossi
Tradutor: Irene Daun e Lorena e Nuno Daun e Lorena
Data:
 Maio 2013

Editora: Planeta
Páginas: 293 (Capa mole)
Género: Young Adult | Sci-Fi
Série: Sob o Céu Que Não Existe #1
Idioma: Português
Opinião da Ner: Under The Never Sky
ISBN: 9789896573447
Cups:
5 Cups


A Minha Opinião:

Veronica Rossi é a autora da trilogia Under the Never Sky (Sob o Céu Que Não Existe) , é uma escritora brasileira que vive nos Estados Unidos da América.

Uma nova trilogia, uma distópia, baseada na ficção científica, que traz novos conceitos à “literatura fantástica”.

No início, ao ler as primeiras páginas, a narrativa desenvolveu-se de uma forma um pouco lenta, que não me puxava o entusiasmo de ler. Mas, à medida em que as páginas iniciais vão ficando para trás, a narrativa ganha ânimo graças aos protagonistas Aria e Perry.

Peregrino (Perry) e Aria procuram duas pessoas e precisam da ajuda um do outro para cumprir as suas missões.

Este livro, Sob o Céu Que Não Existe, é uma distópia, ou seja, um processo baseado na ficção que representa a antítese da utopia, caracterizada pelo autoritarismo, pela opressão com o objectivo de controlar sociedade. A tecnologia é utilizada para controlar todos os membros da sociedade.

A sociedade está dividida em dois grupos, os Moradores (Aria) que vivem nos Casulos (lugares fechados e confinados à alta tecnologia), por outro lado, os Externos que obedecem a uma hierarquia, com poucos recursos materiais, vivendo em aldeias isoladas.

Os Moradores (apelidados de Toupeiras, pelos Externos) representam a sociedade distópica, oprimida e autoritária.

Aria é uma jovem de 17 anos, corajosa, que é obrigada a enfrentar o Exterior, para cumprir a sua missão, assumindo as consequências  dos seus actos, que a levaram a sair do Casulo (local onde habitam os Moradores).

Perry (Peregrino) é a minha personagem preferida, é uma personagem muito bem construída e definida, o que fez com que eu criasse uma forte empatia durante toda a leitura. Perry é corajoso, enfrenta o seu passado difícil, faz tudo para manter a tribo em segurança, pois ama o seu sobrinho, acima de tudo.

Aria ao ver-se fora do Casulo depara-se com o Exterior (a chamada “Loja da Morte”) , onde um Morador enfrenta todo o tipo de perigos e onde não há tecnologia.

A narrativa na terceira pessoa do singular, ajuda o leitor a conhecer a perspectiva de Perry e Aria, isoladamente, alternando-se ao longo da leitura. 

O romance está presente nesta distópia, com personagens apaixonantes, num universo estranho, mas muito original e interessante

Perry é um Selvagem, vive no Exterior, numa tribo. Todos os seus dons estão relacionados com os cinco sentidos. Considerei muito interessante esta ideia da autora, associar os sentidos a dons desenvolvidos característicos de determinados personagens. 

Aria é uma Moradora devido ao facto de ter nascido num Casulo. Os Casulos protegem do mundo exterior, dito selvagem, enquanto o Casulo vive de alta tecnologia futurista. Os Reinos existem dentro dos Casulos.

As Toupeiras vivem num Casulo, perto da tribo dos Águas e põe em perigo os membros mais importantes da Tribo.

Vale é o Lorde Sangrento, o Líder da Tribo dos Águas, é irmão de Perry e pai de Talon, o sobrinho adorado de Perry, 

A existência de diferentes tribos é um tema ainda pouco desenvolvido, mas existem a Tribo dos águas e a Tribo dos Croven, sendo esta última uma tribo canibal.

Marron é uma personagem importante que ajuda Aria e Perry nas suas missões. Marron é o líder da comunidade de Delfos, que domina a tecnologia e conhece o sistema de Casulos.

Rugido (Roar) é um Externo e o melhor amigo de Perry, uma personagem muito interessante, muito bem construída. Esta personagem surpreendeu-me pela positiva, fazendo-me pensar qual seria a minha personagem preferida – Perry ou Rugido. Mas Perry demonstrou uma maior profundidade sentimental ao longo da história, o que o tornou a minha personagem preferida.

Cinder, um Externo, misterioso, com dons raros e um passado impressionante. 

Aether é uma tempestade, que se desenvolve no firmamento. Representa “o céu que não existe”, que destrói a ameaça tudo por onde passa. A tempestade Aether provoca alterações nos humanos, a nível dos sentidos o que representa uma ideia completamente diferente.

O que me desiludiu foi o desenvolvimento sobre a mãe de Aria, que é cientista e se encontra longe a fazer uma pesquisa. A procura incessante de Aria pela mãe foi pouco desenvolvida e alguns assuntos ficaram por explicar. Aguardo, ansiosamente, a continuação desta trilogia, cheia de curiosidade, pois o final em aberto, demonstra que muitas surpresas e explicações estão por vir.

Recomendo Under the Never Sky, de Veronica Rossi.

{Inês} Review: O Jogo do Anjo (PT)

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Review y Inês (PT):
O Jogo do Anjo
(El Juego del Ángel)

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Tradutor: Isabel Fraga
Data:
 2008 (originalmente 13 de Maio de 2008)

Editora: Dom Quixote
Páginas: 568 (Capa mole)
Género: Fantasia | Mistério Cultura
Série: El Cemeterio De Los Libros #2
Idioma: Português
ISBN: 9789722037075
Cups:
5 Cups


A Minha Opinião:

Carlos Ruiz Zafón é um dos meus escritores preferidos pela sua criatividade e pela maneira como conta as suas histórias. O que o torna especial é o seu estilo gótico, sombrio e misterioso.

Tenho como cenário preferido nos seus livros a “Livraria Sempere e Hijos”, pela magia dos livros, pelos conselhos literários e pelos membros da família Sempere. 

A genialidade do autor consiste no facto de criar um escritor e pô-lo a contar a sua história de vida e esta ser a sua ideia principal neste segundo volume sobre O Cemitério dos Livros Esquecidos.

A maneira como as vidas das personagens se cruzam e fazem parte umas das outras, está narrada de uma forma maravilhosa, o que ajuda o leitor a compreender o passado e a antecipar o futuro das mesmas.

Os três volumes (A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu) são livros independentes, mas estão todos interligados pelas personagens cujo passado foi partilhado por algumas.

A magia deste livro, O Jogo do Anjo, está na descrição dos lugares especiais, como as ruas da cidade de Barcelona, magnificamente descrita, a “Livraria Sempere e Hijos” e o “Cemitério dos Livros Esquecidos”.

A acção principal passa-se em Barcelona, entre as décadas de 20 e 40, do século XX. David Martin é um jovem jornalista e escritor. Escreveu uma história que foi publicada no jornal onde trabalhava e isso deu alguma notoriedade ao seu trabalho.

Pedro Vidal ajudou David, pois é um homem rico, com influência, cujo sonho é escrever um livro extraordinário.

No início da sua carreira como escritor, David escreveu “Os Mistérios de Barcelona”, mas acabou por editar “A Cidade dos Malditos”, obra que lhe dá alguma notoriedade.

Isabella é uma jovem que sonha ser escritora e vê em Martin uma oportunidade de aprendizagem, trabalhando como sua ajudante. Isabella tem uma personalidade forte e luta para realizar os seus sonhos. É corajosa e sonhadora, óptima ouvinte e excelente conselheira.

Neste livro, conhecemos a infância de David Martin, a sua paixão pelos livros e pela escrita, a sua relação difícil com o pai e o desprezo da mãe.

A escrita de Zafón é fascinante, soberba, emotiva e misteriosa. Ler este livro foi uma sensação maravilhosa! 

Por vezes, é difícil separar o que é real do que a imaginação de David Martin, cuja sanidade é duvidosa ao longo da narrativa.

Mas, ao ler o terceiro volume desta série, O Prisioneiro do Céu, compreende-se melhor a vida de Martin e o seu real estado de saúde.

Ao conhecer o motorista de Pedro Vidal, David conhece a filha do motorista, Cristina, e, apaixona-se por ela. 

A fase em que nos apercebemos que muito da vida das personagens faz parte da imaginação de David Martin, a história ganha mais sentido, visto que muitos dos acontecimentos são pouco prováveis ou inexplicáveis.

O facto do final desta história ficar em aberto, a cargo da interpretação do leitor, é um pouco estranho e difícil de aceitar para os leitores que gostam dum epílogo conclusivo e explícito, que é o meu caso.

As temáticas abordadas dividem-se entre a falta de reconhecimento de um escritor, a exploração do seu trabalho, o lado sombrio e gótico dos acontecimentos, a barreira entre o real e o imaginário.

Corelli é uma personagem misteriosa, que a meu ver só existe no imaginário de David, para demonstrar o seu lado ateu. O facto de escrever de noite e de dia, fez com que a sua sanidade ficasse gravemente afectada. 

Conhecemos a relação de alguma proximidade entre David e o Sr. Sempere, pois a sua livraria é uma referência para o escritor, desde a sua infância.

Espero que ao deparar-me com os restantes livros de Zafón, descubra novos factos do passado das personagens dos dois primeiros volumes.

Gostei bastante de conhecer melhor a história da família Sempere, e da livraria que retrata sonhos e um amor profundo pelos livros. As várias gerações dos Sempere ficam mais explícitas à medida em que lemos os livros e estes explicam melhor a vida da “Livraria Sempere e Hijos”.

Recomendo este escritor, pois todas as suas obras têm um estilo gótico e misterioso, que prende o leitor, motivando-o a conhecer mais e melhor o seu trabalho.

Carlos Ruiz Zafón tornou-se, na minha opinião, um dos melhores escritores do mundo, no género da literatura universal (romance).

Quem entrar no “Cemitério dos Livros Esquecidos” jamais quererá sair!

{Inês} Review: Dividida (PT)

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Review by Inês (PT):
Dividida
(Torn)

16044844Autor: Amanda Hocking
Tradutor: Elsa T.S. Vieira
Data:
 16 de Outubro de 2012 

Editora: ASA
Páginas: 293 (Capa mole)
Género: Fantasia Urbana | YA 
Série: Trilogia Trylle #2
Idioma: Português
ISBN: 9789892321097
Cups:
4be0c-4cups


A Minha Opinião:

Nesta segunda parte da trilogia Tryllle, Dividida, continuamos a acompanhar a nova vida de Wendy, a princesa dos Trylle.

Neste volume há novidades na vida de Wendy, relacionadas com o “irmão” com quem cresceu e com o seu amigo Tove.

Os Vittra continuam a perseguir Wendy, ameaçando as pessoas que são importantes para ela.

Amanda Hocking tem uma escrita que flui rapidamente, criando um universo muito diferente do habitual, no género fantástico.

Não gostei, particularmente, do primeiro volume, os acontecimentos surgiram de uma forma um pouco incoerente, na minha maneira de ver, e, as atitudes da protagonista não me agradaram, na maior parte da leitura.

Wendy, como princesa, enfrenta vários desafios, propostos pela sua mãe, Elora, a Rainha dos Trylle.

Acontece que não gostei muito do primeiro volume, mas adorei o segundo desta trilogia e já comprei o terceiro, pois estou muito curiosa por saber o desfecho da vida de Wendy como Rainha.

Oren é o rei dos Vittra, um troll malvado que persegue Wendy e despreza Elora, a Rainha Trylle. Sara é curandeira, Rainha Vittra, causou uma boa impressão, doce , amável e simpática.

Wendy e Rhys fugiram de Forening, onde viviam com a Tribo Trylle e foram postos à prova pelo inimigo.

No fim do primeiro volume, Trocada, Wendy e Rhys fogem do Reino dos Trylle. Neste segundo livro, Dividida, Wendy volta à casa onde cresceu e reencontra o seu irmão adoptivo, Matt.

Loki é um localizador, neste volume ajuda Wendy a trazer Matt e Rhys do meio de uma situação perigosa. É interessante ver a relação de alguma proximidade entre Rhys e Matt.

A acção e o romance fazem parte desta narrativa. Willa e Matt conhecem-se e a relação de ambos vai evoluindo positivamente.

Confesso que a primeira impressão que tive da saga Trylle, de Amanda Hocking, não foi muito positiva. Considerei um universo pouco interessante e confuso. Mas decidi dar uma segunda oportunidade a esta trilogia e não me arrependo da minha decisão.

No segundo volume, compreendi melhor as temáticas e os objectivos que a autora pretende transmitir ao leitor. A sua escrita flui bastante bem, os capítulos são curtos, o que torna o livro acessível a qualquer leitor.

A Rainha Elora demonstra uma súde frágil e pretende preparar Wendy para o seu futuro cargo de Rainha.

Wendy e Finn continuam afastados. Conhecemos um lado diferente de Finn, mais pessoal, mas as suas opções não me satisfizeram, pois o afastamento, neste caso, não ajudou em nada a vida confusa de Wendy.

Tove é a grande surpresa deste livro. Ajuda Wendy a desenvolver os seus poderes, apoiando-a em tudo.

Forening é a comunidade dos trolls, onde Wendy, Tove e Elora desenvolvem a narrativa, na maior parte da leitura. Aurora, mãe de Tove, continua a apoiar Elora e os filhos de ambas, mas a relação de ambas não é pacífica.

A escrita da autora é especialmente dirigida ao público jovem. É leve, divertida, o que proporciona um certo divertimento ao leitor. Senti que neste segundo livro, a autora conseguiu explicar melhor a sua ideia inicial sobre a trilogia.

Wendy continua dividida entre dois amores, não compreendo bem alguns aspectos, que ainda estão em aberto neste livro, mas no terceiro volume, a conclusão desta história ajudará, provavelmente, o leitor a entender alguns aspectos e a satisfazer curiosidades temáticas, ainda em aberto.

Loki é um jovem cheio de si, gosta da maneira de ser de Wendy e aproxima-se dela.

Finn, volta a desiludir, com a sua obsessão pelo “politicamente correcto”, afasta-se dos seus sentimentos, tornando-se distante.

Wendy torna-se mais responsável e decide preparar-se para assumir o seu lugar como Rainha Trylle.

Elora enfraquece a cada dia, faz pedidos importantes a Wendy, para os quais esta ainda não se sente preparada. 

A pouco e pouco, Tove vai-se tornando uma personagem decisiva nesta trilogia, o seu futuro e o de Wendy podem estar relacionados e a estabilidade da comunidade sobrenatural de trolls pode depender das atitudes dos príncipes, Wendy e Tove.

Neste segundo volume, descobrimos o passado da Rainha Elora e do Rei Oren, que são de Tribos inimigas, a Rainha dos Trylle e o Rei dos Vittra. Os Vittra são uma tribo inimiga, que comete crimes para alcançar os seus objectivos.

A construção das personagens evoluiu positivamente, embora a personagem Finn não tenha tido as atitudes mais emotivas que deveria ter, mas esta é uma personagem pouco emotiva e muito racional.

A personagem Loki veio mexer com as emoções de Wendy, que se desilude constantemente com o afastamento de Finn.

Gostei bastante desta leitura e espero que o epílogo desta trilogia seja igualmente cheio de acção, romance e boas surpresas, como teve este segundo volume.

Recomendo a trilogia Trylle, de Amanda Hocking, a qualquer fã do género Fantástico, que pretenda uma leitura descontraída, divertida e emocionante.

{Inês} Review: Vidro Demónio (PT)

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Review by Inês (PT):
Vidro Demónio
(Demonglass)

Autor: Rachel Hawkins
Tradutor: Maria João Freire Anfrade
Data:
 Junho 2011 (originalmente 22 de Março 2011)

Editora: 1001 Mundos
Páginas: 286 (Capa mole)
Género: Fantasia Urbana | YA Bruxas
Série: Hex Hall #2
Idioma: Português
ISBN: 9789895577897
Cups:
5 Cups


A Minha Opinião:

Este livro, Vidro Demónio, é a sequela de Hex Hal“, os dois primeiros volumes da trilogia de Rachel Hawkins

Sophie Mercer é a protagonista desta saga. É uma personagem cheia de humor, cuja vida está repleta de segredos e revelações incríveis, quase inacreditáveis. 

Gostei mais deste segundo volume, pelo facto de a escritora responder a algumas perguntas e explicar melhor os conceitos criados no primeiro volume. Mas quando terminamos esta leitura, muitas outras perguntas ficam por responder, o que faz com que desesperemos até o terceiro volume, Spell Bound, ser editado em português, talvez pela mesma editora, a 1001 Mundos.

O Chefe do Conselho dos Prodigium, é uma personagem enigmática, que podemos desvendar neste segundo volume. Foi uma personagem que me surpreendeu pela positiva.

Esta história é composta por personagens diferentes, como, os demónios.

A acção principal decorre em Londres, na Mansão do Conselho, numa vila rural, durante as férias de Verão, em que os alunos se podem ausentar de Hecate Hall.

Sophie partiu para Londres, disposta a sujeitar-se à remoção, que é um processo perigoso, que consiste num procedimento para retirar os poderes que um demónio possui, deixando de ameaçar a segurança dos que o rodeiam, mas não garante a sobrevivência de quem se sujeita a tal prática.

Archer, continua a viver como membro do Olho (Occhio di Dio), caçador de demónios, mas surpreende sempre, nos breves instantes em que aparece. Confesso que gostei mais desta personagem neste segundo livro, pois demonstra uma preocupação verdadeira para com Sophie.

Cal é a grande revelação desta leitura. Gostei bastante de o conhecer melhor. É uma personagem interessante, um jovem bonito e reservado, mas com a aproximação de Cal e Sophie, a narrativa mudou para melhor, durante alguns capítulos.

Neste segundo volume, a autora desenvolve mais as personagens principais, dando a conhecer ao leitor o seu psicológico, demonstrando que há uma evolução na construção das mesmas. A narrativa detém um ritmo rápido, o que motiva o leitor a ler sempre mais um capítulo. À medida que o tempo vai passando, vai-se descobrindo as razões dos acontecimentos anteriores, o que permite ao leitor conhecer melhor as personagens.

A escrita de Rachel Hawkins é claramente dirigida ao público jovem, sobretudo, adolescente, utiliza uma linguagem demasiado descontraída, na minha opinião. A autora criou uma história muito interessante, embora pudesse desenvolver mais os diálogos.

O pai desaparecido e, praticamente desconhecido, de Sophie, aparece e dá-se a conhecer à filha, facto que me agradou e me ajudou a perceber o quanto são parecidos, principalmente no humor sarcástico. Gostei da relação que conseguiram estabelecer.

Na Mansão do Conselho, em Londres, conhecemos duas novas personagens, Nick e Daisy, que surpreenderão qualquer leitor, com revelações importantes e inesperadas. Ambos gostam de chamar à atenção e de quebrar regras, sendo uma boa companhia para Sophie e Jenna, que continua a acompanhar Sophie nesta aventura, pois Sophie recusa estar sem a sua companhia de confiança.

As personagens secundárias ganham uma forte relevância, o que as torna mais apelativas  e interessantes.

No primeiro volume acompanhamos os prodigium (bruxas, mutáveis, vampiros, demónios, lobisomens e fadas), no espaço que é o reformatório, Hecate Hall (que os prodigium apelidaram de Hex Hall) e neste segundo volume a acção passa-se no quartel-general do Conselho dos Prodigium.

Sophie é uma protagonista completamente diferente das outras. Conquista o leitor com o seu sentido de humor, pela ironia, demonstrando ter uma vida cheia de surpresas, que vão alterando o seu dia-a-dia, mas não a sua maneira de ser.

Neste livro, Vidro Demónio, a autora desenvolve muito mais as personagens secundárias, o que ajuda bastante no desenvolvimento da narrativa e traz novos elementos ao grupo, com agradáveis surpresas, que ajudam a desvendar segredos e a explicar certos conceitos que ficaram por explicar no livro Hex Hall.

A relação de forte amizade e cumplicidade que une Sophie e Jenna mantém-se. Jenna é a companheira de aventuras de Sophie, com as suas opiniões sinceras e directas, que fazem com que seja o porto de abrigo da amiga.

Em Londres começa uma longa aventura, onde Elodie surpreende Sophie, e, os acontecimentos se atropelam até ao epílogo emocionante, que deixa tudo em aberto.

Recomendo esta trilogia, que faz jus ao género “Young-Adult paranormal”, com seres mágicos, emoções fortes e muitas revelações.

 Agora só nos resta esperar pela tradução de Spell Bound, o derradeiro volume desta trilogia “Hex Hall”, de Rachel Hawkins.

{Inês} Review: Graceling & Fire (PT)

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Graceling: O Dom de Katsa

Título Original: Graceling
Autor:
 Kristin Cashore
Tradutor: Teresa Filipe Carvalhal
Data:
 Julho 2010 (originalmente 1 de Outubro 2008)

Editora: Alfaguara
Páginas: 435 (Capa mole)
Género: Fantasia | YA | Romance
Série: A Saga dos Sete Reinos #1
Idioma: Português
ISBN: 9789896720216

 


A Minha Opinião:

Os Sete Reinos fazem parte do universo criado por Kristin Cashore, onde os Reis dos diferentes Reinos governam cada Reino com crueldade, usando todo o seu poder, para atingir objectivos pessoais, à excepção de dois Reis. 

O Rei de Middluns , Randa, é tio de Katsa, que é uma graceling que tem o poder de matar com o olhar. Assim, o Rei obriga Katsa a matar. Aos dezasseis anos, Lady Katsa é conhecida  e temida por se a “Lady Assassina”. Randa obrigava Katsa a agir como um monstro, executando torturas, mutilações e provocando a morte aos homens inconvenientes no Reino e seus inimigos.

O pai do Rei de Lienídia é raptado e Katsa investiga o caso. Assim, Katsa conhece o príncipe de Lienídia , Po, uma personagem encantadora, que se aproxima de Katsa para investigar o desaparecimento do avô. O príncipe Po também é um graceling, com inúmeros segredos e poderes ocultos, que desenvolve uma relação de confiança com Katsa que interpreta o dom como uma maldição até se aperceber que também pode utilizá-lo para praticar o bem.

Os Sete Reinos encontram-se sob a ameaça de alguém sombrio, cruel e muito perigoso.

Raffin é filho do Rei Randa, primo de Katsa, não concorda com a maldade do pai, apoiando Katsa. Oll é capitão e acompanha o crescimento de Katsa. Giddon é sub-chefe e apaixona-se por Katsa.

Po é um dos sete príncipes do Reino de Lienídia, cujo verdadeiro nome é Greening, é uma personagem muito positiva, demonstra os seus verdadeiros sentimentos a Katsa, de quem aprende a gostar e se dá a conhecer, a pouco e pouco. Tem dons invulgares, pois cada graceling tem dons completamente diferentes, mas igualmente poderosos e únicos. Este príncipe vem de uma família de guerreiros e encontra em Katsa uma adversária muito superior a nível táctico na luta corpo a corpo, com quem aprende e se diverte simultâneamente. Katsa é uma lutadora exímia 

Os dons podem consistir em habilidades completamente diferentes, tais como, cozinhar magnificamente, ler mentes, respirar debaixo de água, matar por instinto, prever o estado do tempo ou ter uma pontaria extraordinária. 

Bitterblue é uma menina encantadora, é princesa e será protegida por Katsa e Po. Bitterblue é uma peça chave na narrativa, a história da sua família é muito importante, imprevisível e emocionante. Adorei esta personagem, tornou-se a minha personagem preferida, pela sua bondade, coragem, pela preocupação que demonstra ter com outros, pela prontidão com que ajuda o próximo, pela força que teve de fugir do seu pai, o Rei Leck de Monsea. Muito acontecerá na vida desta princesa, mas mais descobrirei quando ler o último volume desta trilogia, cujo nome da princesa dá título ao livro.

O Rei Leck é um homem muito poderoso, sem sentimentos, bastante misterioso, ameaça a esposa e a filha. Bitterblue vê-se obrigada a fugir da crueldade do pai, com medo.

A luta que Katsa trava por Bitterblue é emocionante, de uma coragem e força de vontade inexplicáveis. Durante uma parte da narrativa acompanhamos uma longa viagem, atravessando montanhas, rios, neve, mas tal viagem tem uma demanda que ficará a cargo de Katsa, Po e Bitterblue.

A acção principal passa-se numa época medieval. Os Sete Reinos são Middluns, Lienídia, Monsea, Estil, Sunder, Nander e Wester. Cico dos sete Reinos encontram-se em constante conflito, apenas dois Reinos vivem em harmonia, com reis justos que mantêm a paz, tais Reinos são Monsea e Lienídia.

As personagens são especiais, inesquecíveis e cheias de atitude. O vilão é surpreendente, praticando actos de pura crueldade, agarra o leitor, aguçando a sua curiosidade durante a leitura. “Quem entra nos Sete Reinos já não consegue sair”, é a frase mais verdadeira que já li nos últimos tempos, pois assim que terminei esta leitura tive de ler o segundo volume, mas agora estou a desesperar, pois o terceiro volume da trilogia ainda não foi editado em português.

Esta leitura foi emocionante. Tive muita dificuldade em desligar-me das personagens. Embora continue a seguir esta trilogia, mas o volume seguinte é uma prequela, , a personagem principal é outra, e, apesar de ser uma narrativa esplêndida e emocionante, não está relacionada com estas personagens principais. Embora compreendamos no segundo volume o passado de uma outra personagem masculina, que aparece no primeiro livro e talvez no terceiro volume continue a acompanhar estas personagens.

 A escrita de Kristin Cashore é maravilhosa, emotiva, envolvente e inesquecível . Recomendo plenamente. As capas dos livros são maravilhosas, com as heroínas de cada livro, com cores específicas atribuídas. 

Recomendo esta leitura, pois esta trilogia pode ser lida como volumes independentes, com heroínas diferentes, mas igualmente arrebatadoras. Fantasia Medieval no seu melhor! 

Garanto que qualquer leitor, fã do género Fantástico, gostará de personagens como Bitterblue, Po e Katsa.

Os Meus Cups:

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Fogo

Título Original: Fire
Autor:
 Kristin Cashore
Tradutor: Andreia Fonseca
Data:
 Abril 2011 (originalmente 1 de Janeiro de 2009)

Editora: Alfaguara
Páginas: 450 (Capa mole)
Género: Fantasia | YA | Romance
Série: A Saga dos Sete Reinos #2
Idioma: Português
ISBN: 9789896720520

 


A Minha Opinião:

Posso dizer que as 450 páginas deste livro passaram a uma velocidade extremamente rápida. A protagonista tem aspectos controversos, fez com que não compreendesse algumas das suas atitudes, mas por outro lado, Fogo tem qualidades que aprecio bastante. Fogo toca violino, instrumento que eu adoro ouvir, tem a coragem de lutar e de negar a sua natureza vil, capaz de subjugar a vontade própria de cada indivíduo. Utiliza os seus dons em caso de perigo de vida ou por um Bem Maior, podendo utilizar o poder da mente para comunicar.

Fogo tem um rosto lindo, a sua beleza é estonteante, o seu cabelo é da cor do fogo, cuja beleza é irresistível para os humanos, especialmente para os homens. Fogo é a última descendente de uma raça de monstros humanos, filha do monstro-humano Cansrel, que tinha uma natureza vil, que utilizava o seu poder mental para seu benefício, tornando-se letal.

Fogo tem o poder de sentir as emoções das pessoas, de manipular os seus pensamentos, podendo forçá-las a dizer a verdade, mas não gosta de utilizar os seus poderes, contrariando sempre a sua natureza. 

A existência de monstros nos Dells é um facto que faz parte do dia-a-dia dos habitantes dos vales entre as montanhas. Fogo cresceu longe da corte, numa propriedade a Norte dos Dells, na companhia de Lorde Brocker, que é a figura paterna para Fogo, o seu fiel amigo e conselheiro, pai de Arqueiro (Archer), um jovem com quem cresceu, por quem se apaixonou e, mais tarde, estabeleceu uma relação amorosa. A relação de ambos não é do meu agrado, devido ao facto de Arqueiro ser um “pinga-amor” que anda atrás de todas as mulheres do Reino, com a desculpa de que ama Fogo, mas esta não aceita casar nem ter filhos, devido à sua natureza de monstro.

Nos Dells os animais-monstros fazem parte do dia-a-dia das pessoas, podendo ser monstros-raptores coloridos, gatos-monstros que desejam o sangue dos outros monstros, atraindo os humanos com o poder de atracção mental, atracção essa que pode ser fatal.

Os homens sentem-se atraídos por  Fogo, assim como os animais-monstros se sentem atraídos pelo seu sangue, querendo atacá-la. Os animais-monstros são mais perigosos e mortíferos do que os gracelings. A sua natureza instintiva e o poder da mente torna-se incontrolável. Fogo tem guarda pessoal para a proteger dos ataques dos monstros.

Cansrel, monstro-humano, pai de Fogo, foi conselheiro do antigo rei Nax, levando-o à loucura.

Esta prequela tem uma forte inspiração medieval, a guerra pelos vales Dells está envolta em batalhas, guerras, exércitos, espiões, em que a fome de poder dos rebeldes ameaça o trono do novo rei, o jovem Nash, mas o rei conta com o apoio do irmão, o príncipe Brigan que é comandante militar do exército. Com a morte do rei Nax, Nash herda um reino destruído, ameaçado pelos rebeldes do Norte e do Sul, que desejam tirá-lo do trono.

Nash luta para evitar a guerra, mas os inimigos ameaçam o trono. A família real precisa da ajuda de Fogo para se proteger. Através dos poderes mentais de Fogo a família real pode descobrir quem são os espiões e os rebeldes, forçando-os a acabar com a guerra e as rebeliões no Reino. Para tal, Brigan tem de convencer Fogo a ir viver para a corte e a abandonar a propriedade onde cresceu.

A rainha Roen e o rei Nax tiveram quatro filhos: Nash, Brigan e os gémeos Clara e Garan. 

Brigan tem uma filha, fruto de uma paixão durante a sua adolescência. Hannah tem uma boa relação com o pai, são carinhosos um com o outro. Hannah é adorável, sempre preocupada com o pai.

Brigan é um jovem carinhoso, destemido, forte, com uma enorme responsabilidade como chefe do exército real. Brigan é a única pessoa que consegue impedir Fogo de controlar a sua mente, impedindo-a de aceder aos seus sentimentos e emoções.

Fogo e o príncipe Brigan pouco dialogam ao longo da narrativa, facto que não me agradou. A ausência do príncipe é demasiado sentida. A fase de negação inicial de Brigan para com Fogo é preconceituosa e revoltante. Brigan nega aproximar-se de Fogo, quando a conhece, devido ao facto desta ser um monstro-humano e por ser filha do homem-monstro que destruiu o Reino e o rei Nax.

A escrita de Kristin Cashore é brilhante e flui rapidamente. A autora cria heroínas inesquecíveis, que arrebatam o leitor pela sua personalidade e natureza diferente. A leitura foi emotiva, com componentes fulcrais numa boa história, tais como, romance, amizade, paixão, guerra, morte. Todas estas emoções foram vividas neste livro maravilhoso.

As heroínas criadas por Kristin Cashore têm vários aspectos em comum, como o facto de negarem a sua natureza mortífera, os problemas parentais e a negação do facto de usarem os seus dons em benefício próprio, prejudicando os outros. Fogo demonstra fragilidades que Katsa não tem, demonstra medo, indecisão, dúvidas e fragilidade física, incapacidades que não assolam Katsa.

Leck é a única personagem que os dois primeiros volumes da trilogia têm em comum. Conhecemos o seu passado, mas, na minha opinião, este vilão merecia mais destaque, ao longo da narrativa, que por si só é uma parte fulcral desta trilogia de Kristin Cashore.

Recomendo esta trilogia! Aconselho a leitura por ordem de edição (Graceling / Fogo/ Bitterblue), tal como eu li, e não por ordem cronológica (Fogo / Graceling/ Bitterblue), penso que é a forma mais interessante de conhecer o vilão, o Rei Leck de Monsea. É verdade que os três volumes são independentes, mas alguns factos tornam-se mais interessantes pela ordem de edição que a autora escolheu. 

A história de Fogo passa-se trinta anos antes dos acontecimentos narrados no primeiro volume da trilogia: Graceling – O Dom de Katsa, num território diferente, mas igualmente fascinante.

Os Meus Cups:

{Inês} Review: Um Comércio Respeitável (PT)

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Um Comércio Respeitável

Título Original: A Respectable Trade
Autor:
 Philippa Gregory
Tradutor: MariaDo Carmo Figueira
Data:
 Outubro 2013 (originalmente 23 de Dezembro de 1994)

Editora: Porto Editora
Páginas: 410 (Capa mole)
Género: Histórico | Romance
Série: —
Idioma: Português
ISBN: 9789720044303

 


A Minha Opinião:

Na Inglaterra do século XVIII, a cidade de Bristol, vivia dos navios que partiam para o Continente Africano, em busca de escravos, açúcar, tabaco, especiarias e rum. Este era o considerado “comércio respeitável”, que dá título a mais um emocionante romance de Philippa Gregory

O retrato da escravatura é algo chocante nesta leitura. Os comerciantes e senhores da classe alta tratavam os escravos de uma forma desumana e humilhante. Eram tratados pior do que os animais, como se não tivessem sentimentos, eram transportados nos navios a monte, empilhados, acorrentados pelo pescoço, sem higiene, sem água potável, sem comida, adoecendo e sendo atirados ao mar, ainda vivos, os que deixavam de ter esperança suicidavam-se, se sobreviviam trabalhavam nas plantações ou eram criados nas casas dos senhores da cidade, sem remuneração e com coleiras com nomes atribuídos. 

Nesta obra, a autora retrata a dura realidade do povo africano, durante o período da escravatura, em que seres humanos eram vendidos, abusados a todos os níveis, relatando pormenorizadamente os acontecimentos, que embora sejam fictícios, retratam a realidade da época. 

No início do livro, os acontecimentos surgem muito depressa, fazendo com que o leitor se situe no tempo e no espaço da narrativa, enfrentando uma dura e diferente realidade que é a riqueza proveniente do tráfico humano, da escravatura. Neste tempo, o comércio tem influência em toda a sociedade.

As personagens são muito bem construídas. A autora desenvolveu-as muito bem ao longo da narrativa. Com o passar do tempo demonstram sentimentos mais profundos, demonstram ter atitude, mas também demonstram crueldade e ambição desmedida. Todas as personagens, de uma maneira ou de outra, deram a esta leitura uma forte carga emocional.

Em 1787, Joshia Cole é um homem de negócios, mas precisa de uma esposa influente. É um homem excessivamente ambicioso, pretende tornar-se um novo rico, ascendendo socialmente. É um comerciante, dono de um navio, que pretende fazer parte da elite de comerciantes da cidade de Bristol, a “Merchant Ventures of Bristol”.

Frances Scott, esposa de Joshia, vê no casamento uma oportunidade de garantir uma vida estável, vendo no marido alguém que garantirá a sua segurança, visto que o seu único parente é o seu tio Scott, um homem influente e respeitado na cidade.

Joshia traz um grupo de escravos para que Frances os ensine a falar inglês. É assim que Mehuru e Frances se conhecem e se apaixonam.

Frances ensina alguns escravos saudáveis a falar inglês, para que o seu marido os possa vender aos senhores das classes altas, para servirem como criados nas suas casas, sem qualquer remuneração, suportando a moda das coleiras com nomes, que lhes eram atribuídos. 

Frances representa a mulher da sociedade da época, que vive de luxos provenientes da escravatura. Quando se casou apercebeu-se desse facto, mas ao conhecer de perto os escravos, compreendeu que estes também tinham sentimentos, medos e sonhos. Afeiçoou-se pelas crianças, pelas mulheres mal tratadas e especialmente por Mehuru, que é mais culto e mais inteligente do que os outros.

Numa sociedade em que a Mulher não tinha vontade própria, nem opinião, era obrigada a obedecer ao marido, sem reivindicar, Frances tem como missão educar os escravos.

Sarah é irmã de Joshia, ambos herdaram o velho navio do pai, fundando uma sociedade, em que Sarah cuida dos livros de contabilidade da casa e dos negócios, enquanto Joshia cuida dos negócios marítimos, da compra e venda de escravos, tabaco, especiarias e rum. É uma mulher amargurada, obcecada com contabilidade e lucros. Sempre viveu com o irmão, embora não se dê bem com a cunhada, Frances, o que teria tornado as vidas de ambas mais fáceis. 

Pela primeira vez, um livro de Philippa Gregory é editado em Portugal pela Editora “Porto Editora”, visto que todos os outros livros que eu tenho da autora, embora ainda não tenha todos, foram editados pela editora “Livraria Civilização Editora”.

Gosto, em especial, do dourado da capa e do tipo de letra, a cargo da nova editora.

A escrita da autora é envolvente, empolgante, fluída, cheia de conhecimentos, que coloca o leitor no meio de uma história fictícia, extremamente credível, emocionante, pela realidade chocante retratada neste livro. Recomendo esta leitura!

Os Meus Cups:

{Inês} Review: A Herança Bolena (PT)

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A Herança Bolena

Título Original: The Boleyn Inheritance
Autor:
 Philippa Gregory
Tradutor: Maria Beatriz Sequeira
Data:
 Novembro 2007 (originalmente 2006)

Editora: Livraria Civilização Editora
Páginas: 469 (Capa mole)
Género: Histórico | RomanceGuerra
Série: Tudor #3
Idioma: Português
ISBN: 9789722625630

 


A Minha Opinião:

Nesta série, A Corte dos Tudors, acompanhamos o longo reinado do Rei Henrique VIII da Inglaterra.

Este volume, A Herança Bolena, é o terceiro na ordem cronológica desta série, magnificamente escrita por Philippa Gregory.

Este livro é narrado a três vozes, por Ana de Clèves, território germânico, para a Inglaterra para se casar com o Rei, e, assim, fugir do seu irmão que a enclausurava, querendo-a só para si.

Assim, a Rainha Ana teve como dama de companhia Catarina Howard, prima de Ana Bolena, levada para a corte sob a influência de seu tio, Duque de Norfolk, cujo objectivo é obter riqueza e estatuto, através da influência do Rei.

Ana é uma Rainha maravilhosa, simples, humilde, sem ambição desmedida, até porque vê no seu marido, o Rei, um velho, com idade para ser seu pai, doente e mal cheiroso, devido à ferida que tinha na perna. É retratada como uma jovem simpática, embora não saiba falar inglês, esforça-se para aprender.

Assim, o tempo vai passando e Catarina começa a ver no Rei a possibilidade de ascender cada vez mais alto, na corte. Ana começa a aborrecer o Rei, por ser uma pessoa um pouco monótona e apática. 

Assistimos ao afastamento de Ana, por parte do Rei e à ascensão de Catarina Howard como a nova Rainha da Inglaterra.

Catarina tem uma ambição desmedida e vê  no objectivo de dar um herdeiro ao rei uma obsessão. Toma atitudes nada dignificantes para uma mulher, quanto mais para uma Rainha. 

Mas a nova Rainha tem como aia Jane Bolena, que a apoia e encobre todos os seus actos recrimináveis.

Jane Parker Bolena é uma personagem muito interessante, especialmente neste livro, embora o seu arrependimento seja demasiadamente descrito e referido, na minha opinião, ao longo da narrativa.

Pela primeira vez, o leitor conhece os pensamentos e os verdadeiros sentimentos de Jane Bolena. Demonstra-se arrependida do facto de ter testemunhado contra o marido. Jorge Bolena, e contra a cunhada, Ana Bolena, acusando-os de incesto, condenando-os à morte. Jane demonstra sentir a falta de Jorge, amá-lo verdadeiramente, mostrando que foram os ciúmes que a fizeram acusá-los, herdando a fortuna dos Bolena, o que a tornou numa burguesa rica, com o objectivo de se casar novamente.

 O retrato do Rei Henrique VIII é chocante. O Rei tem atitudes infantis e extremamente egocêntricas. pois continua a pensar que é jovem e bonito, esquecendo-se de que está velho, obeso, doente, com uma ferida que o faz coxear e ter um cheiro que provoca náuseas.

Do casamento anterior com Jane Seymour, o Rei teve o primeiro herdeiro masculino, mas a Rainha teve uma morte precoce. Assim, o Rei decidiu casar-se com Ana de Clèves, em 1539.

O fim da narrativa impressionou, pois o reinado de Henrique VIII ficou conhecido como sangrento e cruel para com as suas seis esposas. 

Mas gostei especialmente de Ana e gostei do final da sua vida, já sem ser rainha, mas sobrevivendo às mãos do Rei.

A escrita de Philippa Gregory é excepcional, faz-nos viver dentro da corte, com diálogos credíveis e fluentes, que nos ensinam a História da Inglaterra do século XVI. Embora muito  da sua escrita seja ficção, resultado da sua imaginação, é também fruto de uma intensa e pormenorizada pesquisa histórica, juntamente com o seu inegável talento como romancista. A escrita elegante, envolvente e descritiva ajuda o leitor a compreender os factos históricos, com algumas explicações pessoais, mas muito credíveis. 

Recomendo esta leitura, bem como a de todos os  outros livros que já li desta autora.

Philippa Gregory tornou-se uma das minhas escritoras preferidas, a melhor no género “Romance Histórico”.

Os Meus Cups:

{Inês} Review: Shadowfell (PT)

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Shadowfell

Título Original: Shadowfell
Autor:
 Juliet Marillier
Tradutor: Catarina F. Almeida
Data:
 8 de Novembro de 2012 (originalmente 1 de Janeiro de 2012)

Editora: Planeta Manuscrito
Páginas: 381 (Capa mole)
Género: Fantasia| Romance
Série: Shadowfell #1
Idioma: Português
ISBN: 9789896573324
Opinião da Ner (em Inglês): Shadowfell


A Minha Opinião:

É a segunda vez que leio este livro. é sempre uma enorme alegria abrir um livro de Juliet Marillier. Shadowfell, tem uma paginação muito interessante, posicionada nas laterais das páginas e não no fim de cada, como é mais comum ver-se.

Saber que existirá uma nova trilogia, com uma nova heroína é uma ideia que me agrada imenso, como já li o segundo volume O Voo do Corvo, decidi reler o primeiro volume, visto que ainda falta bastante tempo para que o terceiro volume saia em português.

Neryn é a protagonista desta nova série, a trilogia Shadowfell, uma jovem com uma infância dolorosa, que a ensina a ser corajosa e a ter esperança no futuro, pois possui um Dom Iluminado.

Neryn perdeu toda a sua família e ao saber do seu dom, tem de fugir e de se esconder, contando com várias ajudas para que não descubram o seu poder.

O tirano Rei Keldec abomina a magia que não é controlada por si próprio, permitindo-a apenas aos seus guardas de confiança, os Subjugadores, que a utilizam segundo as suas ordens e vontades. Todos os outros seres que usem magia e procurem desenvolver um dom, serão perseguidos pelos guardas do Rei.

Os Boa Gente são um povo composto por criaturas mágicas, que acompanham Neryn na sua demanda contra o Mal.

Flint é um estranho que se depara com Neryn. Uma personagem forte, muito interessante, que está directamente ligada ao Rei.

Regan é um guerreiro, é o líder do povo oprimido, com a coragem de lutar e de se revoltar contra as injustiças do Rei Keldec.

Tali é uma personagem muito importante nesta série. É uma guerreira, e, acompanha Neryn na sua demanda. Promete protegê-la acima de tudo, aparenta ser uma mulher de carácter forte e destemido, mas também esconde sentimentos ternos e profundos, para se defender. É dona de uma resistência física invejável.

A escrita da autora é envolvente, emocionante e imprevisível. Sofremos com as personagens e emocionamo-nos com os seus sentimentos e vivências.

É sempre reconfortante regressar a Sevenwaters ou a Shadowfell. Lugares cheios de magia, natureza, com uma heroína forte, que partilha com o leitor os seus pensamentos, medos e sonhos.

A luta do Bem contra o Mal é uma temática habitual nos livros desta escritora. A heroína enfrenta o próprio destino, em prol de um Bem Maior.

Recomendo esta leitura. É fascinante entrar num novo Mundo, conhecer novas personagens é relembrar os valores e as paisagens da natureza, que tanto me agradaram nos livros da série Sevenwaters.

As séries são completamente diferentes, a essência está em ambas, mas não perdi a esperança de a autora continuar a escrever a série Sevenwaters, pois a família de Lorde Sean de Sevenwaters é um tema muito interessante, para ser desenvolvido.

Recomendo Shadowfell e a sequela O Voo do Corvo, de Juliet Marillier.

Os Meus Cups: